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Governo do Pará diz que há dúvidas se água barrenta do Tapajós é culpa de garimpos

Secretaria Estadual do Meio Ambiente informa que realizará parceria com a Ufopa para investigar mudança na cor da água do rio em Alter do Chão: 'há chuvas intensas na região'

Governo do Pará diz que há dúvidas se água barrenta do Tapajós é culpa de garimpos Água barrenta invade rio Tapajós, em Alter do Chão (Foto: Reprodução- Eric Jennings)) Notícia do dia 20/01/2022

Por ALICE ALENCAR

 

DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA - O Governo do Pará informou, nesta quinta-feira (20/1), em Nota enviada ao Portal DeAmazônia que ainda não é possível afirmar se o fato da água do Rio Tapajós, em Alter do Chão, em Santarém, Oeste do Estado, estar barrenta, é resultado da ação de garimpos na região.

 

A Nota encaminhada pela assessoria da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) informa ainda que há dúvida se a mudança da cor do rio Tapajós, de esverdeada para barrenta, é “fruto de ação direta do homem” ou se é causada pelo volume de chuvas que vêm atingindo o Oeste do Pará, nos últimos dias.

 

“Temos a dúvida porque há décadas não tínhamos chuvas desta magnitude no Tapajós”, afirma a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade

 

A Semas acrescenta que o Governo do Estado está firmando parceria com a Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará), para disponibilizar os dados do 'Projeto Águas do Tapajós' para montar um laboratório que atue em conjunto com o núcleo regional, para investigar a mudança na coloração nas águas do rio.

 

“Estamos agindo em duas pontas: aumentando a fiscalização sobre os garimpos e buscando aprimorar a investigação científica com dados de qualidade para que a gente saiba com certeza o que está ocorrendo para responder de forma mais assertiva”, informa o governo.

 

Também na Nota, a Secretaria do Meio Ambiente do Pará cobra o envolvimento de órgãos ambientais federais para combater crimes, que eventualmente, estejam ocorrendo no Tapajós. “O estado, sozinho, não tem condições de fiscalizar os garimpos. É preciso a ação dos órgãos federais no combate aos crimes ambientais que porventura estejam ocorrendo”, pontua.

 

No final de novembro de 2021, uma invasão de garimpeiros em massa no Rio Madeira, em Autazes (AM), para explorar ouro, mobilizou uma força tarefa do Ibama, Exército, Marinha, PF, Agência Nacional de Mineração (ANM) que expulsou a ação ilegal e  toda parafernalha de balsas e dragas, que formavam uma cidade flutuante no leito do rio.  

 

ALTER DO CHÃO

No dia 11 de janeiro, deste ano, o Portal deAMAZÔNIA publicou reportagem sobre o possível poluição da exploração de garimpo nas águas das belas praias de Alter do Chão, em Santarém, com base no monitoramento do leito do Tapajós feito pelo médico Erik Jennings que denunciou que a lama e o barro da exploração do garimpo estavam poluindo o rio da vila balneária.

 

Em sobrevoo de avião na região, o médico, que atende índios isolados, fez fotos e vídeos para mostrar determinadas partes em que o Rio Tapajós está com águas azuis e outros trechos com água na cor semelhante a do Rio Amazonas. Para Jennigns não há dúvida da influência de ações de garimpagem.    

 

Nesta quarta-feira (19), o Jornal Nacional, da TV Globo, deu destaque que o avanço do garimpo na região do Tapajós pode está poluindo o ‘caribe amazônico’.  

 

NOTA DA SEMAS DO PARÁ

A Semas informa que ainda não é possível determinar se a causa da turbidez que o Rio Tapajós tem apresentado nos últimos dias é fruto de ação direta do homem ou se é o volume de chuvas que está caindo na região. Temos a dúvida porque há décadas não tínhamos chuvas desta magnitude no Tapajós.

 

Estamos agindo em duas pontas: aumentando a fiscalização sobre os garimpos e buscando aprimorar a investigação científica com dados de qualidade para que a gente saiba com certeza o que está ocorrendo para responder de forma mais assertiva. 

 

Neste sentido, estamos firmando parceria com a Ufopa, a Universidade Federal do Oeste do Pará, para disponibilizar os dados do Projeto Águas do Tapajós e rapidamente montar um laboratório que atue em conjunto com nosso núcleo regional.

VÍDEO E FOTOS PUBLICADAS POR ERIK JENNINGS