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Garimpo pode estar poluindo praias de Alter do Chão, que já apresentam água barrenta

Médico Erik Jennings fez fotos e vídeos do Rio Tapajós, para mostrar que mudança da coloração da água não é motivada pela chuva, mas pelas ações do garimpo   

Garimpo pode estar poluindo praias de Alter do Chão, que já apresentam água barrenta Alter do Chão - Água barrenta (à esquerda): Rio Tapajós e Água Escura (à direita): Lago Verde (FOTO: ERIK JENNINGS) Notícia do dia 11/01/2022

DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA – O garimpo do Distrito de Cuiu Cuiu, em Itaituba, no Pará, em operação desde 2017, sob o comando da mineradora canadense Cabral Gold, pode estar poluindo o Rio Tapajós que banha as belas praias de Alter do Chão, em Santarém (PA). A mineradora aproveita a ‘boiada’ para retirar ouro, no Oeste do Pará, sem licença ambiental.

 

Parte da paisagem do caribe amazônico, em Santarém, que antes tinha águas azuis/verdes, agora apresenta cor barrenta enlameada.

 

O médico Erik Jennings sobrevoou a região e registrou em vídeos e fotos as mudanças da coloração do Rio Tapajós, em Alter do Chão, para chamar a atenção das autoridades sobre o avanço da poluição que vem ocorrendo na vila balneária.

 

Em imagens aéreas, Erick Jenings faz comparações das águas dos Rios Tapajós e Arapiuns para contestar os céticos, que dizem se tratar de período chuvoso da região amazônica.

Em outro registro, o médico mostra a praia de Alter do Chão, com o Lago Verde [na sua cor original] e Rio Tapajós, dividindo a 'Ilha do Amor', sendo invadido pela água na cor barrenta enlameada.  

 

“O Rio Tapajós, que era azul esverdeado, agora em dezembro de 2021 já é da cor de lama. A cada ano a janela de águas claras tem seu tempo reduzido. As águas turvas trazem sedimentos com mercúrio, arsênio, chumbo e outros metais pesados altamente lesivos a saúde humana, a flora e a fauna”, escreveu, em sua página, o médico Erik Jennings, que vem acompanhando durante anos o curso do rio, em viagens de assistência aos indígenas isolados, no Oeste do Pará.

 

SEM LICENÇA AMBIENTAL

Há quatro anos a mineradora do Canadá, Cabral Gold, explora o garimpo em Itaituba, sem licença ambiental e nem lavra definitiva para exploração de minério, conforme prevê as leis ambientais brasileiras.

 

Contudo, a canadense foi beneficiada pela Resolução 37, de 4 de Junho de 2020,  assinada pelo presidente Jair Bolsonaro, que permite pesquisas e exploração de ouro sem essas licenças.

 

Essa resolução é o ‘projeto boiada’ do ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, cujo intento era liberar geral a depredação e desmatamento na Amazônia e ações de garimpo, enquanto a população brasileira estivesse preocupada com a pandemia da covid-19.

 

A Cabral Gold realiza a operação em mina de ouro no distrito de Cuiu Cuiu, em Itaituba, desde 2017, de posse apenas duas guias expedidas pela Agência Nacional de Mineração, com o direito de poder retirar até 100 mil toneladas de ouro, por ano, da região do Tapajós. É o que diz reportagem do site The Intercept Brasil.

 

A produção da mina é considerada a nova corrida do ouro na Amazônia, superando o potencial de Serra Pelada nas décadas de 70/80.  

 

O Rio Tapajós, no Oeste do Pará, também banha a cidade de Itaituba, onde a frente da cidade já está tomada pela lama do garimpo.

 

(FOTOS: ERIK JENNINGS)