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Prisão do prefeito de Altamira e os detalhes da 'fraude' de R$ 33 milhões, em licitação de obras

Empresa é investigada pela PF por vencer, há 20 anos, todas as licitações; R$ 700 mil apreendidos na casa do prefeito, que teve bens bloqueados; em Altamira oposição venceu as eleições

Prisão do prefeito de Altamira e os detalhes da 'fraude' de R$ 33 milhões, em licitação de obras Dinheiro encontrado na casa do prefeito Domingos Juvenil, de Altamira Notícia do dia 26/11/2020

DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA - O prefeito de Altamira, Oeste do Pará, Domingos Juvenil (MDB) preso nesta quarta-feira (25), durante a Operação Prenúncio, do Ministério Público do Pará (MPPA) com apoio da Polícia Federal é acusado de fraudes em licitações que teriam desviado R$ 11 milhões, e seis anos, dos cofres da Prefeitura. Porém, o MPPA diz que o valor total de contratos irregulares é de R$ 33 milhões.  

 

Os sócios da empresa Arapujá Construções e Serviços Ltda estão entre os investigados. A empresa foi contratada para fazer pavimentação de ruas.

 

Domingo Juvenil encerra o mandato de prefeito em dezembro de 2020. A oposição foi quem venceu a eleição em Altamira. O prefeito eleito é Claudomiro Gomes, do PSB. O candidato de Juvenil, Raimudinho Aguiar, do MDB, ficou em quarto lugar.  

 

Na casa do prefeito de Altamira, a PF encontrou a quantia de R$ 726 mil, em espécie, além de 1 mil dólares ( mais de R$ 5 mil), , pequenas quantidades de ouro, além de arma de fogo. O prefeito foi preso pela posse ilegal de arma e posse sem registro do ouro. Material apreendido foi encaminhado à sede da PF.

 

Houve também buscas na sede da Prefeitura com a apreensão de documentos, computadores e uma parte do dinheiro apreendido.

BLOQUEIO DE BENS

Na mesma ação foram requeridas a indisponibilidade dos bens e a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos no esquema de desvio de recursos públicos.  Foi pedido a Justiça que todos os bens do prefeito Domingos Juvenil, declarados à Justiça Eleitoral em 2016, fossem também bloqueados.  

 

As buscas e apreensões foram requeridas na ação civil pública do MPPA ajuizada em outubro deste ano contra o prefeito Domingos Juvenil e outros envolvidos, por eventual ato de improbidade administrativa ocorrido no âmbito das licitações, contratações e pagamentos realizados em benefício da empresa Arapujá por parte do Município de Altamira. A Justiça atendeu o pedido da Promotoria e determinou as diligências.

 

20 ANOS VENCE LICITAÇÕES

Segundo apurado pelo MPPA, há 20 anos a empresa Arapujá Ltda, aparentemente, só presta serviços para a municipalidade, sempre nos mandatos de Domingos Juvenil, de tal forma que a história da empresa confunde-se com o próprio histórico de mandatos do atual prefeito à frente do executivo.

 

A investigação não encontrou registros ART de prestação de obras ou serviços pela empresa a nenhum outro tomador. A Arapujá também nunca juntou aos certames licitatórios analisados, recheados de flagrantes ilicitudes, nenhum atestado de capacitação assinado por outra pessoa, física ou jurídica, senão a própria Prefeitura de Altamira.

 

O núcleo contábil do Ministério Público do Estado constatou, mediante a análise de sistemas e dos documentos enviados pela Prefeitura Municipal, que já houve, em valores atualizados, o pagamento de R$11.019.115,83 para a empresa Arapujá nos últimos seis anos, sendo que, há provas de que nem um centavo foi repassado de forma lítica.

 

“Trata-se de grandioso desvio de verbas públicas praticado, como já demonstrado, há cerca de 20 anos. Contudo, a investigação não conseguiu, pelo decurso do tempo, alcançar datas tão remotas, de modo que este valor é apenas o referente às quatro licitações investigadas, retroativas ao ano de 2014”, explica na ação civil o promotor de Justiça Daniel Bona.

 

O requerimento de liminar pelo MPPA para deferimento de indisponibilidade dos bens visa garantir o ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos, decorrentes das licitações fraudulentas e dos contratos administrativos nulos daí decorrentes, no valor de R$33.057.347,40.

Segundo os promotores, esse valor é para garantir a devolução do prejuízo ao erário, que soma R$11.019.115,83, como o valor de eventual multa civil aplicada, cujo montante pode alcançar a quantia de R$22.038.231,60¸ correspondente ao dobro do prejuízo ao erário já constatado no procedimento que justificou o ajuizamento da ação civil pública no último dia 28 de outubro.

 

NOTA DA PREFEITURA

Por meio de Notas, a Prefeitura Municipal de Altamira e o prefeito Domingos Juvenil se pronunciaram informando que colaboram com as investigações e que os processos licitatórios ocorreram ‘cumprindo todos os procedimentos exigidos por lei e com transparência’.

 

As notas, informam ainda que nos últimos três anos a Prefeitura de Altamira recebeu do Tribunal de Contas dos Municípios o selo 'Gestão Transparente'.

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