PC-PA cumpre mandado de prisão contra mais um alvo da 'Operação Boca da Cobra' (Foto: Ascom / PCPA)
Notícia do dia 24/07/2021
DEAMAZÔNIA BELÉM, PA - A Polícia Civil do Pará prendeu, na tarde desta sexta-feira (23/7), o escrivão substituto do Cartório da Cidade de Santarém Novo, suspeito de envolvimento no esquema fraudulento de compra e venda de fazenda, em Bujaru, nordeste do estado, que atualmente pertence ao deputado federal Éder Mauro (PSD-PA), da ala bolsonarista na Câmara. O nome do escrivão não foi divulgado.
A propriedade de aproximadamente 300 hectares teve registro fraudulento em 2018 no nome de uma pessoa que já estava morta há 15 anos, além de ter sido vendida sucessivas vezes e por um preço muito abaixo do de mercado. O terreno avaliado em R$2 milhões chegou a ser comercializado por R$300 mil.
O escrivão é suspeito de se aproveitar do cargo para beneficiar a quadrilha com a emissão de documentos falsos, que davam aparência de legalidade na compra e venda da fazenda. Entre as irregularidades encontradas, foi identificada uma procuração pública contendo informações falsas, cometendo assim o crime de falsidade ideológica.
A ‘Operação Boca da Cobra’ foi deflagrada no dia 24 de junho e cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em Belém, Ananindeua e Santarém Novo.
Sete mandados, sendo três de prisão e quatro de busca e apreensão, foram expedidos pela Justiça de Santarém Novo. À época da operação dois empresários foram presos em Belém, sendo que um residia em um prédio de luxo no Umarizal, bairro de Belém, e outro foi localizado na empresa dele, no bairro do Mangueirão.
Durante buscas na empresa, os policiais encontraram documentos relacionados à fraude, celulares, uma arma de fogo e 105 munições intactas. O empresário também foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo.
Denúncia
As investigações foram iniciadas após denúncia em aplicativo de atendimento ao cidadão, em dezembro do ano passado.
Diante dos fatos, foi instaurado um procedimento denominado de VPI (verificação preliminar de informação) pelo qual foram constatados vários indícios de irregularidades, como uma procuração pública, confeccionada no cartório de Santarém Novo em março de 2018, cuja outorgante havia falecido no ano de 2003 - 15 anos antes.
As diligências continuam no intuito de esclarecer quem está se beneficiando com as fraudes constatadas durante a investigação.

