Padre José Ronaldo Brito (Foto: Divulgação)
Notícia do dia 25/03/2022
DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA - Em sessão do Tribunal do Juri realizada nesta quinta-feira, dia 24 de março, foi condenado a 19 anos de prisão o réu Christian Roberto da Silva, pelo homicídio do padre José Ronaldo Brito, ocorrido em janeiro de 2021, em Santarém.
O conselho de sentença acatou a tese do MPPA, que atuou na acusação com os promotores de Justiça do Tribunal do Júri, Diego Libardi e Rafael Dal Bem.
O Juiz Gabriel Veloso presidiu a sessão, que encerrou após as 23h, e fixou a pena em 19 anos de reclusão, inicialmente em regime inicialmente fechado, por homicídio qualificado por motivo fútil. Uma das testemunhas não compareceu espontaneamente e foi conduzida coercitivamente ao tribunal, atrasando o início da sessão.
Ao final, o réu foi levado para o Centro de Recuperação Agrícola Silvio Hall de Moura, na comunidade de Cucurunã. As advogadas Priscila Patrício e Rosiane Souza, que atuaram na defesa, informaram que irão recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado.
O crime foi praticado na virada do ano de 2020 para 2021, porém, o corpo do padre só foi encontrado em sua casa no bairro Bela Vista do Juá, no dia 3 de janeiro de 2021. A vítima era vigário da paróquia de Belterra e membro da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Santarém. O réu confessou a autoria do crime em seu depoimento, mas alegou que agiu em legítima defesa.
Na pronúncia do réu, de novembro de 2021, o juízo julgou procedente a denúncia apresentada pelo Ministério Público, e destaca que através do depoimento da Delegada de Polícia Civil se extraíram elementos necessários para o levantamento dos indícios suficientes de autoria, bem como das demais testemunhas.
Os depoimentos colhidos no decorrer do inquérito policial demonstraram que o acusado matou a vítima, sem a presença de nenhuma excludente de ilicitude, como a legítima defesa alegada por Christian.
De acordo com o inquérito policial, no dia 31 de dezembro de 2020 para o dia 1º de janeiro de 2021, o réu desferiu um golpe de faca na vítima, atingindo-o no pescoço. No dia dos fatos, os dois se encontraram, andaram de carro pela cidade e depois se dirigiram para a casa do padre José Ronaldo.
Após cometer o crime Christian fugiu, levando o carro e outros pertences de valor da vítima. Durante a fuga, ao conduzir perigosamente o veículo, o denunciado se envolveu em um acidente automobilístico nas proximidades do Rio Tapajós Shopping. Nesta ocasião ele foi preso em flagrante, e durante a apreensão pela PM e autuação pela Polícia Civil pelo crime de trânsito, em nenhum momento informou que havia assassinado o padre, sendo liberado pela autoridade policial.
Conforme os autos, o réu e a vítima mantinham relações sexuais há aproximadamente três anos. A investigação policial registrou que o homicídio foi cometido com recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima, que foi atacada inadvertidamente e desproporcionalmente. E ainda que agiu por motivo fútil, apenas uma discussão com a vítima, naquela noite.

