Hospital de Campanha de Santarém (Foto: Redes Sociais/Reprodução)
Notícia do dia 03/09/2021
DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA - O Instituto Panamericano de Gestão (IPG) recebeu mais de R$ 22 milhões para administrar o funcionamento do Hospital de Campanha de Santarém, em 2020.
Porém, o Ministério Público descobriu que os valores recebidos pelo IPG correspondiam à lotação total do hospital, mesmo quando a unidade tinha somente 16 pacientes internados.
E mais, o ambiente do Hospital era quente para os doentes, que procuravam a unidade para tratamento de covid-19 durante a primeira onda da pandemia.
Numa segunda fiscalização, ainda setembro de 2020, a Promotoria de Justiça de Santarém constatou que a temperatura média do Hospital de Campanha em Santarém era de 34,29ºC e chegou-se ao pico de 41,2 ºC na unidade. Resolução nº176/2000 da Anvisa, prevê que a temperatura deveria ser de 23ºC a 26ºC.
E o que é pior. Segundo o Ministério Público não tinha água no Hospital de Campanha.
As investigações do MPPA e do MPF serviram de base para a operação Reditus, a segunda fase da Operação SOS da Polícia Federal, que prendeu 60 pessoas, no dia 18 de agosto deste ano, acusadas de desviar recursos da saúde do Pará.
Entre eles, foi preso o ex-diretor do IPG, Itamar Carvalho Junior, um empresário muito próximo ao prefeito de Santarém e médico Nélio Aguiar (DEM). Itamar já está em liberdade.
A relação do prefeito com Itamar, que também é médico, era tão próxima que Nélio foi um dos convidados do glamoroso casamento do ex-diretor do IPG, há dois anos, realizado em uma chácara em Goiânia (GO).

Prefeito Nélio Aguiar participou de casamento do ex-diretor do IPG, Itamar Junior (Foto: Reprodução/Arquivo BJ)
HOSPITAL MUNICIPAL E UPA 24H
Foi com o Instituto Panamericano de Gestão que, em 1º de março de 2018, o prefeito Nélio Aguiar implantou a terceirização da saúde em Santarém como uma de suas maiores apostas no governo.
O contrato da prefeitura com o IPG previa o repasse de R$ 179,5 milhões em verbas federais ao Instituto.
O relatório da Controladoria Geral da União (CGU) apontou ainda que a Prefeitura direcionou a licitação em favor do IPG, mesmo a OS não atendendo requisitos mínimos para assumir a gestão das unidades de saúde de Santarém.
Em janeiro de 2019, o Ministério Público Federal entrou no caso, e em maio fez a Prefeitura assinar um termo de compromisso para reincidir o contrato com o IPG.
Mas, a Prefeitura veio suspender o contrato somente em junho de 2020 e em julho assumiu o Instituto Mais Saúde, que também vem sendo bombardeado pela Câmara de Vereadores.

