Igarapé do Jauari enlameado (Fotos: Divulgação)
Notícia do dia 03/01/2023
DEAMAZÔNIA JURUTI, PA - Famílias do Jauari, em Juruti Velho, convidaram diretores da Alcoa a visitar a comunidade para tomar banho e beber água dos igarapés, que segundo eles, estariam contaminados por rejeitos despejados pela mineradora, após derramamento da bacia de exploração da bauxita, em Juruti, Oeste do Pará.
Os moradores rechaçaram a Nota da mineradora americana que rebate informações da comunidade, repassadas ao Portal deAMAZÔNIA, de que não era verdade que a exploração da bauxita polui os igarapés do Jauari. A nota da empresa, acompanhada de fotografias, mostrava imagens de um igarapé límpido.
“Alcoa está rebatendo as informações dizendo que está tudo bem, mas não está e quem mora aqui somos nós. Nós sentimos a necessidade. Essas fotos foram nós que tiramos agora há pouco, e eu estava lá também. Eles jamais vão concordar. A Alcoa publicou a foto de água de um rio que talvez não seja nem daqui, da nossa região”, afirmou o vice-presidente da Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho (Acorjuve), Alciberto Souza Pereira.
A coordenadora da comunidade do Jauari, Rubelita Rodrigues, lembrou que em 2020 a bacia de reservatórios da empresa rompeu causando danos ambientais e levando lama, barro e destruição aos igarapés e que, neste período de chuvas, o risco aumenta de ocorrerem novos desastres.
“Nós não descansamos no Natal e nem no Ano Novo também, porque esta área é de risco e pode desabar mais barro para o nosso igarapé. Esta é uma marca que a Alcoa deixou em nossas vidas no Natal, do dia 25 de dezembro de 2020. E a Alcoa agora anda falando que o que a gente divulga é mentira. Nós queremos a Imprensa aqui”, enfatizou.
Segundo a Acorjuve, com a contaminação dos lagos e igarapés por barro da mineração as famílias ficaram também sem condições de pesca e plantação.
“Antes nós tínhamos um igarapé limpo, cristalino e hoje temos um igarapé com lama, barro. A água não serve mais para o nosso uso e nem para pescar ee não temos mais terreno para plantar. A Alcoa não divulga a verdade o que ela causa dentro do nosso igarapé, além de soterrar as nascentes de rios. Queremos convidar os diretores da Alcoa a vim tomar banho e beber a água no nosso igarapé”, relata Nildo Souza.
O impasse no valor da indenização persiste porque não há um estudo independente de impacto ambiental, nem mesmo da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Pará. A Alcoa diz que os danos são mínimos, enquanto a entidade tem um relatório com parecer de casos graves.
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