The Intercept divulgou reportagem Exclusiva sobre relatório da Abin entregue ao presidente Bolsonaro
Notícia do dia 25/03/2020
DEAMAZÔNIA BRASÍLIA, AM - Um relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), ao qual o site The Intercept Brasil teve acesso, com EXCLUSIVIDADE, traça uma projeção sombria para o avanço do Coronavírus ( Covid-19) no Brasil. O documento sigiloso da Abin foi entregue ao presidente Jair Bolsonaro [ sem partido], informando que o coronavírus poderá matar 5.571 mil pessoas no país, até o dia 06 de abril, isto é, em duas semanas.
A reportagem do The Intercept Brasil, publicada nesta quarta-feira (25) à noite, traz ainda documentos com imagens, e um conjunto de informações detalhadas sobre a pandemia no mundo e no Brasil. A Abin é subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional, comandado pelo general Augusto Heleno, que também testo positivo para a Covid-19. O relatório do Coronavírus entregue a Bolsonaro é diário, mas ele tem feito pouco caso.
De acordo com o site, um dos relatórios da Abin, foi entregue a Bolsonaro, às 22h10, desta segunda-feira (23), em que enfatiza que Coreia do Sul, Irã e China conseguiram mudar a direção da ascensão da pandemia, provavelmente, depois da adoção de medidas de contenção, como a quarentena, por exemplo. Bolsonaro é contra este método.
A China, onde o coronavírus iniciou, conseguiu diminuir a elevação da crise entre 10 a 15 dias, depois de adoção de medidas como isolamento social e fechamento de fronteiras e e de entrada e saída de pessoas em municípios e estados.
SISTEMA DE SAÚDE EM COLAPSO
O relatório da Agência Brasileira de Inteligência traz outros dados importantes, como a afirmação de que caso a curva da epidemia no Brasil seja semelhante à do Irã, Itália e China, em 15 dias mais de 10 mil leitos de UTIs, dos quase 60 mil existentes, seriam ocupados por vítimas da Covid-19. Isso representa 17,4% do total de leitos disponíveis.
Entretanto, a taxa de ocupação atual das UTIs brasileiras gira entre 80% e 90%, o que indica que faltarão leitos. Não é a toa que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta tem alertado que o sistema de saúde do país poderá, no epicentro da crise, entrar em colapso.
RELATÓRIO MOSTRA GRAVIDADE DA COVID-19
Um segundo cenário do relatório da Abin, menos sombrio, mostra que o número de mortes no Brasil, em 15 dias seria de 2.062 pessoas e que o coronavírus chegaria, por aqui, numa curva similar à da França e da Alemanha. A Abin anota ainda que o vírus varia bastante de um dia para o outro.
“Na análise de 22 de março, por exemplo, a agência projetava 8.621 mortes até 5 de abril caso a covid-19 avançasse por aqui em ritmo semelhante ao que teve na Itália – quase 60% mais do que a previsão feita no dia seguinte”, cita a reportagem.Ou seja, até a Abin sabe que os números são indefinidos, mas todos os dados apontam a gravidade da situação
Ainda de acordo com o The Intercept, o relatório da Abin mostrando quantas pessoas podem morrer no Brasil, é feito a partir das informações do Ministério da Saúde e mesmo assim o presidente Bolsonaro faz pouco caso das ameaça iminente. Dados atualizados informam que são 2.563 casos confirmados da doença no Brasil, com 60 mortos.

