Lucas Tupinambá cobra do presidente da COP30, André do Lado Corrêa, participação dos povos indígenas nos debates da conferência ( Tânia Rêgo-Agência Brasil)
Notícia do dia 24/11/2025
DEAMAZÔNIA BELÉM, PA - Após o protesto de indígenas Muduruku que interditou a entrada da COP30, na sexta-feira, o governo federal disse que vai realizar uma consulta aos povos originários do Tapajós sobre o projeto que prevê a privatização da hidrovia na região.
Durante encerramento da Cúpula dos Povos na Cop30, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, informou que será realizada essa consulta nas reservas indígenas.
“Nós temos o compromisso, e o governo federal fará, em relação ao Tapajós, uma consulta livre, prévia e informada a todos os povos da região, antes de implementar qualquer projeto no rio. E nós, da Secretaria-Geral da Presidência da República, criaremos uma mesa de diálogo com todos esses povos, para recebê-los em Brasília e construir a solução”, disse Boulos.
O ministro afirmou ter falado ao telefone sobre o tema com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, pouco antes de chegar no encerramento da Cúpula. Ele disse ainda que o governo irá prosseguir com a demarcação de terrras indígenas.
Pobos indígenas ligada ao Cita (Conselho Indígena Arapiuns Tapajós), em Santarém, no Oeste do Pará, reivindicam a demarcação dos territorios.
O Cita representa 13 povos indígenas: Arapium, Apiaká, Arara Vermelha, Borari, Jaraqui, Kumaruara, Maytapu, Munduruku, Munduruku Cara-Preta, Tapajó, Tapuia, Tupayú e Tupinambá.
"Haverá mais demarcações, e esse é o compromisso do presidente Lula, de que, até o ano que vem, mais demarcações serão feitas, garantindo o compromisso do nosso governo com a Amazônia, com os nossos povos e com os movimentos sociais", disse.
O protesto dos Munduruku, foi acompanhado de outros povos indígenas presentes a COp30, especialmente do Baixo Tapajos.
A manifestação foi realizado na manhã de sexta-feira e bloqueou a entrada da Zona Azul, onde são realizadas as negociações da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) e reservado a pessoas credenciadas no evento.
De forma pacífica e apoiados por ativistas e povos indígenas de outros países, os Munduruku e demais etnias reivindicavam uma reunião com o presidente Lula e a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que prevê a privatização de empreendimentos públicos federais do setor hidroviário nos rios Madeira, Tocantins e Tapajó.
FERROGÃO
Eles também criticam a construção da Ferrogrão, uma ferrovia que ligará o Mato Grosso ao Pará, para escoamento de produção agrícola, com impactos sobre o modo de vida dos indígenas e pressão sobre suas terras. Após o protesto, os indígenas foram recebidos pelo presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago.
Acompanhado das ministras do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, Boulos lembrou da manifestação e disse que os atos estão fazendo diferença na COP30.
“Você sabe, Marina, que veio gente da imprensa falar que está tendo muita manifestação na COP. Se tem manifestação na COP, é sinal que o povo está participando da COP. E é isso que a gente quer”, disse Boulos.
"Para que ela [a COP] seja efetiva tem que ser com participação social, e quem representou, com excelência, a participação e a voz do povo nessa COP foi a Cúpula dos Povos, os povos indígenas, os povos quilombolas e ribeirinhos da Amazônia”, completou.
AGENCIA BRASIL e Redação

