Suspeita de desvio de R$ 64 milhões, PF faz operação contra empresa ligada a Jatene ( divulgação PF
Notícia do dia 08/07/2020
DEAMAZÔNIA REDENÇÃO, PA - A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (8), a Operação Magna Dolum, que investiga organização criminosa constituída para fraudar licitações destinadas à execução de obras públicas, na gestão do ex-governador do Pará, Simão Jatene. Durante cumprimento de mandados de busca e apreensão, foram encontrados R$ 123,4 mil, somente na casa do dono da construtora JN, ligado a Jatene.
A investigação, que contou com interceptações telefônicas e quebra de sigilo bancário, autorizados pela justiça, revelou que, das contas bancárias de empresas “de fachada” partem transferências de até R$ 100 mil para outras pessoas (físicas e jurídicas), sem justificativa aparente, sugerindo-se, assim, a prática de atos para ocultar a verdadeira origem dos recursos (lavagem de dinheiro).

O grupo criminoso teria atuado durante toda a gestão do ex-governador Simão Jatene, na Secretaria Estadual de Transportes do Pará (Setran/PA) e nos municípios de Conceição do Araguaia/PA e Santa Maria das Barreiras/PA.
De 2010 a 2019, o grupo criminoso teria se apropriado de mais de R$ 64 milhões, em recursos públicos federais, estaduais e municipais.
Segundo a Polícia Federal os reais administradores das empresas (ocultados pela participação de sócios “laranjas”) mantinham frequentes contatos com servidores públicos municipais e estaduais, os quais recebiam vantagens indevidas para beneficiar as pessoas jurídicas que fazem parte do esquema delituoso, praticando atos que vão desde o direcionamento dos certames, passando pela facilitação da fiscalização das obras, até a agilização de pagamentos.
Diante dos fatos, a Polícia Federal representou pela busca e apreensão em 21 endereços, pela prisão preventiva de quatro investigados, pelo afastamento do cargo dos servidores públicos envolvidos nos atos de favorecimento das empresas, pelo sequestro judicial de bens do patrimônio dos investigados e por uma nova quebra de sigilo bancário.
Ao apreciar os pedidos, o juízo da 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Pará, concordando integralmente com as representações policiais, deferiu os mandados de busca e apreensão, para cumprimento em endereços residenciais e de órgãos públicos.

