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PAULO CIDMIL - A insensatez continuada em não exonerar o secretário de cultura

PAULO CIDMIL - A insensatez continuada em não exonerar o secretário de cultura Paulo Cidmil. (Foto: Divulgação) Notícia do dia 23/08/2023

Mais uma obra de arte executada por nosso secretário de Cultura de Santarém (PA). Esse senhor vem colecionando erros de gestão, que clamam por um basta. A sua condição de secretário intocável é cada dia mais evidente.

 

Que esse latifúndio tenha sido entregue de porteira fechada, nós já sabíamos, mas que estivesse imune a qualquer tipo de intervenção por parte de nosso prefeito, dando ao secretário a condição de imexível, essa é a aberração administrativa a qual ficamos expostos.

 

Não fosse a intervenção providencial do Corpo de Bombeiros no Festival do Folclore, é provável que hoje a cidade estivesse chorando uma tragédia. Nosso secretário tem uma lista robusta de feitos: já houve carta de repúdio da comunidade de Alter do Chão subscrita pelos realizadores do Çairé; deu apoio a um escroque que se apropriou de um Festival de Cinema, quando não reconheceu a legitimidade de mais de 100 fazedores de cultura de Santarém e de Alter do Chão.

 

Já ocupou a presidência do Conselho Municipal de Cultura, instância da sociedade civil, cuja uma das funções é propor políticas culturais e fiscalizar o secretário. Já foi alvo de protestos de quase todos os seguimentos culturais, como o teatro, a música, artes plásticas e audiovisual, o artesanato e o folclore.

 

Promoveu enorme prejuízo à classe artística  na gestão dos recursos da Lei Aldir Blanc I, lançando editais de R$1 mil (isso mesmo mil reais) e devolvendo recursos na ordem de 240 mil reais aos cofres do governo Federal.

 

E por isso, acabou alvo de audiência pública na Câmara de Vereadores para esclarecer o fato e o porquê da prestação de contas não ter sido concluída, descumprindo o prazo. Interviu na tentativa de desqualificar e mudar as escolhas feitas pelos seguimentos culturais para o Conselho Municipal de Cultura.

 

Na Secretaria de Cultura, cujos recursos são pífios, o que sobra para investimentos no fomento cultural, é na quase totalidade comprometido com licitações para serviços de som, iluminação e estruturas para eventos, como vimos no exercício de 2019.

 

Não existe planejamento ou calendário cultural a médio e longo prazo, não conseguiu parcerias duradouras para financiar e profissionalizar os quase inexistentes projetos culturais da pasta. Não difunde a produção cultural local no estado e nem viabiliza aporte de recursos do estado pela ausência de bons projetos. Produção artística há em abundância.

 

A insatisfação com sua inaptidão e falta de visão para gerir a pasta de Cultura, que exige grande sensibilidade e interlocução com os diversos seguimentos culturais, é quase unânime. Agora, diante de mais um erro, pelo que lemos nas redes sociais, tenta se eximir das responsabilidades, acusando a empresa prestadora de serviços, empresa com longo histórico de serviços para o município e alvo de algumas polêmicas.

 

Serviço que o secretário não supervisiona, não fiscaliza e parece não pagar em dia. Em política, um dos bens mais preciosos, depois da honestidade e do espírito público, é a lealdade para com os companheiros de luta.

 

Independente de partidos há que se ter lealdade, honrar os acordos e a palavra empenhada. Não duvido da lealdade do secretário e nem do apreço que nosso prefeito nutre por ele. Mas insistir no erro é a insensatez continuada.

 

Há outros setores da administração pública onde os serviços advocatícios do secretário de Cultura podem ser necessários. Onde ele possa se destacar por sua competência e qualificação profissional. Não há advocacia no município? Para essa função, com toda certeza, o secretário advogado está apto.

 

Outra função que o manteria próximo, já que o senhor, prefeito, não abre mão de colaboração tão imprescindível, seria a Chefia de seu Gabinete. Mas, por favor, preserve a nós, comunidade cultural e o seu governo, desse pesadelo.

 

Senhor Prefeito, não duvide: essa conta lhe será cobrada por toda a comunidade artística e cultural de Santarém, e a pendência transborda o limite da tolerância.

 

*Autor é diretor de produção artística e ativista cultural de Santarém*

 

 

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