menu

MPF pede que Incra suspenda entrega de assentamento do Pará para Canadense explorar ouro

Belo Sun, que comprou lotes ilegalmente em senador José Porfírio e deixa famílias sem direito a nada, tem mais 82 pedidos de mineração para Itaituba, Altamira, Novo Repartimento, Pacajá, Anapu e Vitória do Xingu

MPF pede que Incra suspenda entrega de assentamento do Pará para Canadense explorar ouro MPF pede que Incra suspenda entrega de assentamento do Pará para Canadense explorar ouro Notícia do dia 14/12/2021

DEAMAZÔNIA BELÉM, PA - Além de Volta Grande do Xingu, em senador José Porfírio, a canadense Belo Sun fez ao todo 83 pedidos para pesquisar e explorar ouro em outros municípios paraenses como Itaituba, Altamira, Novo Repartimento, Pacajá, Anapu e Vitória do Xingu.

 

Em Volta Grande do Xingu, que fica próximo a hidrelétrica de Belo Monte (Altamira) o Incra fez um contrato com a Canadense para entregar parte de um assentamento da reforma agrária para o garimpo.

 

A Belo Sun já até comprou 21 lotes irregularmente dos assentados, por R$ 1 milhão, sem que o Incra tenha feito nenhuma intervenção.  As famílias da localidade não terão direito a nada na extração e ainda vão ter que arcar com problemas judiciais e demais ‘broncas’ futuras.  

 

O jornal Estadão foi quem revelou a transação irregular da empresa canadense.

 

As famílias que negociaram com a mineradora tiveram suas casas marcada por um X.

 

MPF PEDE SUSPENSÃO DE ACORDO

O Ministério Público Federal (MPF) entrou no caso e  está promovendo uma série de reuniões para levantamento de dados sobre o acordo entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a empresa Belo Sun, interessada em implantar projeto de mineração em Senador José Porfírio (PA).

 

O acordo prevê que o Incra vai reduzir a área de um projeto de assentamento na região de interesse da mineradora em troca de uma fazenda em Luciara (MT) e de veículos e equipamentos eletrônicos.

 

O MPF quer avaliar detalhes da proposta e, se necessário, buscar solução extrajudicial para correção de eventuais irregularidades.

 

Na quinta-feira (9) foi realizada reunião entre o MPF, Incra, Belo Sun e Defensoria Pública da União (DPU).

 

Ainda na sexta-feira (10) ocorreu reunião entre o MPF e movimentos sociais, e no próximo dia 16 voltam a se reunir o MPF, Incra, Belo Sun e DPU, e desta vez o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) também será convidado a enviar representante.

 

Esclarecimento das contrapartidas – Para o procurador da República Gilberto Batista Naves Filho, são necessários esclarecimentos sobre o acordo firmado entre o Incra e a empresa Belo Sun, especialmente para esclarecer as contrapartidas e as medidas aos demais assentados possivelmente afetados.

 

 “O MPF, em consonância com os princípios da eficiência e da economicidade, bem como considerando o empenho do Incra e da empresa na prestação de esclarecimentos, buscará primeiramente solução extrajudicial”, explica.

 

O procurador da República Gilberto Batista Naves Filho sugeriu ao Incra que a autarquia avalie a possibilidade de suspender os efeitos do acordo até que sejam finalizadas as tratativas com as instituições participantes da reunião desta quinta-feira. 

 

As informações prestadas pelo Incra e pela mineradora serão analisadas para a definição das medidas a serem tomadas pelo MPF.

 

Informações solicitadas – Na reunião de quinta-feira, entre outras respostas o MPF solicitou ao Incra informações sobre as medidas adotadas quanto aos assentados do projeto de assentamento Ressaca que estariam circunscritos na localidade onde se pretende instalar o empreendimento minerário e sobre o qual será feita avaliação dos impactos que serão suportados pela população e medidas para mitigar esses impactos.

 

A autarquia também foi solicitada a informar sobre se houve oitiva dos assentados, sobre quais as medidas de compensação destinadas a essas famílias, sobre qual foi o parâmetro ou estudo realizado pelo Incra para se chegar à conclusão de que a destinação das compensações ocorreria fora do Pará, e sobre como foi feita a aquisição dos lotes no entorno do local onde se pretende implementar o projeto de mineração.

 

À Belo Sun o procurador da República Gilberto Batista Naves Filho solicitou, entre outros dados, informações sobre o levantamento de áreas disponíveis no Pará e sobre se a empresa tem dados que confirmem que a área que será afetada pela mineração será somente aquela indicada pelo Incra ou se seria viável cogitar que a área poderia ser maior do que a citada, com atuação preventiva para evitar que a população e o meio ambiente sofram por causa de falta de estudos mais detalhados e precisos.

Tags:

Veja Também