Moradores do Maracanã, em Santarém, protestam contra passarela de concreto na praia
Notícia do dia 05/08/2020
DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA - Moradores do Maracanã, em Santarém, Oeste do Pará, protestam contra a construção da passarela de concreto, com 500 metros, na praia do bairro às margens do rio Tapajós, em frente à cidade.
Em faixas, afixadas na própria estrutura da passarela, moradores afirmam que o obra é um crime ambiental e a chamaram de “monstro na praia”.
Em protesto, moradores questionam, ainda, a finalidade da construção e afirmam que as necessidades prioritárias de quem mora no bairro Maracanã são outras, como, por exemplo, o asfaltamento das ruas. A maioria das ruas do bairro ainda é em piçarra.
“Precisamos é de ruas asfaltadas, esgotos sanitários, creches e postos de saúde”, diz frase no cartaz.
Nas redes sociais as opiniões se dividem nos comentários de uma postagem do prefeito de Santarém, Nélio Aguiar, na segunda-feira (3).
“Na frente das barracas? Acabou com a vista dos restaurantes e com a melhor parte da praia. Cadê os defensores do meio ambiente?”, criticou o internauta Hilton Guimarães.
“A praia do Maracanã era o ponto de lazer mais próximo da cidade pra galera que não poderia ir pra locais mais distantes, essa mesma galera é a dos bairros periféricos em volta. Qual que é o lazer dessa galera agora? Só ver o rio? Onde que esse espaço vai ser de lazer? Além de gerar uma poluição enorme, vai elitizar ainda mais os espaços. Que vergonha! Um espaço horrível!”, escreveu Alexandre Harlisson.
Já o morador Eder Rick elogiou o projeto e destacou o potencial turístico da obra. “Estive recentemente no Maracanã e percebi que o projeto está associado na modernidade junto com a beleza natural do local, onde irá fornecer melhor estrutura aos turistas e Santarenos”, escreveu.
VEREADOR DIZ QUE OBRA FERE LEGISLAÇÃO
No início do ano o vereador de Santarém, Valdir Matias (PV) já havia criticado na Câmara Municipal a construção da passarela. Segundo o parlamentar a obra fere a legislação municipal e já causou danos irreparáveis ao meio ambiente, uma vez que alterou a paisagem natural da praia.
A estrutura de concreto fica na frente das barracas de comida e bebida da praia.
O vereador ressaltou ainda, na época, que a construção está em desacordo com o Plano Diretor do Município e a Lei de Uso de Ocupação de Solo, aprovada pela Câmara de Vereadores. A praia do Maracanã está dentro de uma Área de Proteção Ambiental.
O projeto de autoria da Prefeitura, que já teve a primeira etapa concluída nesta semana, prevê a construção de estrutura com passarela de concreto armado, píer e um espaço para contemplação. Ao todo serão 443 metros de orla, com 60 metros de píer. Também está prevista a urbanização da área usada como estacionamento que fica por trás das barracas.

