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IVO OLIVEIRA - Relato da situação do povo de Alter do Chão - PARTE 2

IVO OLIVEIRA - Relato da situação do povo de Alter do Chão - PARTE 2 Ivo Oliveira, presidente da Associação de Empreendedores de Turismo em Meios de Hospedagens de Alter do Chão Notícia do dia 13/02/2022

Estamos no início de fevereiro, e se observa a queda drástica em vendas, cancelamentos aos montes de reservas, mas uma Alter do Chão a pleno vapor, com sol bonito de um verão que tenta ir embora, mas ainda não foi... águas com seu volume em processo de cheia, mas que ainda se pode ver claramente praias, talvez no ponto mais alto das belezas naturais em grande parte das opções de passeios em nossa região... mas cadê o turista? Sumiu!.

 

A tal da “baixa temporada” é uma ilusão de mercado que se convencionou e se acostumou como cultura imposta e se trata de entender (ou não) os dois momentos da natureza em nossa região, em nosso Rio Tapajós, principalmente. A alta se refere ao volume de águas, que fica desde agora até o mês de Junho e a baixa dos rios que se inicia logo ali no meio do ano e mantém os níveis baixos até o próximo janeiro.

 

O conflito que se faz é achar que a baixa temporada é o mesmo que a “alta dos rios” e se ouve claramente frases assim: “Não vai entre fevereiro e junho que não tem nada lá!”; isso vira senso comum e daqui a pouco se tem uma verdade absoluta, difícil de mudar e quase impossível de se refazer. Mas um dia a gente chega lá!

 

Isso é outra questão, brigar para transformar essa cultura equivocada em oportunidades de negócio, em geração de emprego e renda, em possibilidades de desenvolvimento, ocasionando uma baixa nas vendas de forma natural como em todo lugar, mas dentro do limite razoável dos diversos pontos turísticos que temos no Brasil. A economia gira, coisas boas acontecem, todos ganham!

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Mas vejam, a nossa baixa temporada de agora, que está apenas no seu início está devastadora, de uma forma tal que me encorajo em dizer que é uma das piores da história. Isso não estava previsto!

 

Outros pontos turísticos do Brasil estão ainda na mesma sequência que mencionei no início, ainda colhendo a dita que estimava um sucesso nos destinos nacionais, nas viagens domésticas como se chama, no momento pós-pandemia (em uma das suas ondas, daquelas que fizeram mais vítimas).

 

Por que motivo vivemos agora uma quebra tão vertiginosa na sequência que vivenciávamos nos últimos 3 meses?

 A queda não deveria ser tão desesperadora como estamos vendo.

O que pode ter havido?

Poder público não vinha, continua sem vir, não é esse o motivo;

A baixa temporada por si só não causa tanto prejuízo como estamos vivendo agora;

O prêmio já não colaborava muito, mas atrapalhar também o processo, não é o caso;

É um mistério, realmente!

 

Minha única pista é a sequência de matérias, reportagens especiais, fotos e comentários informais em redes sociais, que se espalharam mais do que qualquer versão de coronavírus... e com todo esse movimento veio uma repercussão absurdamente maior do que o problema em si, que é real, é gravíssimo, é uma afronta sem precedentes em nossa história local, mas que foi assunto mais que martelado, repetido, exacerbado, estrangulado, esmiuçado e explorado para todos os fins, cada interlocutor ou propagador poderia levar para o contexto que quisesse.

 

O que lamento demais é que ninguém se preocupou com os moradores de Alter, com a nossa comunidade!

 

Havia a necessidade de esclarecer melhor cada matéria publicada, cada foto ou post de rede social que foi feito, com o cuidado de não se deixar expressar o cenário de terra arrasada que fizeram acontecer.

 

O fato é que ninguém foi responsável, consequente e sensível para entender que a repercussão negativa que estava se espalhando ali teria um preço muito alto, preço esse que quem paga não são os governantes... e nem são as pessoas que se utilizaram do assunto para aparecer, para alardear ou até mesmo para promover fake News... quem paga o preço somos nós!

 

O problema existe, está relacionado ao garimpo? Ok! É somente ele que causa todos os problemas que temos? Não! Existem diversos pontos de observação em que se constata que na própria Alter do Chão, aos poucos.

 

Após uma reportagem ir ao ar, o que se deixou de solução? De reflexão para o povo pensar? O que se ouviu de autoridades ou celebridades locais que poderiam opinar a respeito? O fato que ocorre no Município de Itaituba, mas envolve Santarém, e nenhum político eleito foi achado para dar opinião? Para acalmar seu povo votante? Nenhum estudo foi apresentado nas primeiras matérias, o que é pior ainda. Nenhuma autoridade como a Polícia Federal tinha sido sequer mencionada, nas primeiras reportagens.

 

Qual foi a mensagem passada? O caos, a incerteza, a instabilidade e a falta de compromisso em se resolver o problema que seria esse o papel principal de quem se envolve na questão, induzir, sugerir ou apontar caminhos do que pode ser feito, diante do que foi ali reportado.

 

Não tenho a pretensão de vir discutir a cor da água, tampouco de discutir sobre veracidade ou comprovação técnica de estudos que foram feitos ou não nas águas do nosso Tapajós, primeiro porque tenho formação e uma vivência acadêmica vasta a ponto de respeitar qualquer trabalho em que há base científica, metodologia que de alguma forma dê margem a ser considerado como um trabalho respeitável, segundo porque o problema não é discutir o óbvio, mas sim analisar o que geralmente está nas entrelinhas.

 

Entendo que o problema é uma coisa, a contextualização a respeito é outra. E ela pode ser benéfica, mas pode ser traiçoeira, maldosa, mal intencionada...

 

Não me cabe o julgamento, mas o fato é que a conta chegou e já está deixando seus estragos, muito rapidamente...

 

Ninguém se manifestou de forma mais relevante depois das fotos que circularam o Mundo, sem comprovação de fonte e de contexto... Nem depois que nosso maior canal de TV difundiu três matérias no horário nobre, no principal jornal, num curto espaço de cinco dias, tratando o mesmo assunto em sua versão nacional, que é assistido por milhões de pessoas em todo o Mundo.

 

Minha lamentação e pedido de socorro vale para todas as pessoas: celebridades locais, políticos, autoridades, gestores públicos, Imprensa...

 

Porque agora vem um novo desafio: como fazer para recomeçar, diante de uma repercussão tão negativa, sem o devido cuidado necessário?

 

Me sinto remando num oceano que por si só já era altamente perigoso, com uma série de pequenos pontos de melhoria em que poderíamos atuar para fazer, colaborar... E de depende, do nada, vem um furacão, com uma mensagem: “te vira”.

 

Só o que me faz manter a fé de que as coisas mudam para melhor é o fato de saber que não estou remando só. Sou o Ivo, sou a AETHA, sou Alter do Chão!

 

Na essência do que é ser Alter do Chão!

 

Por isso peço ajuda, peço apoio, e creio que quanto mais gente abraçar a causa, abraçar a causa de remar unidos na mesma direção, nós como comunidade sempre iremos encarar e passar por cima de qualquer tormenta ou instabilidade que vier.

 

Porque não vão parar por aí.

 

Mais e mais virão.

 

Nós temos a escolha de dar as mãos e buscar união para que as remadas fiquem mais consistentes.

 

*O autor é presidente da Associação de Empreendedores de Turismo em Meios de Hospedagens de Alter do Chão, em Santarém, Oeste do Pará*

 

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