Povos originários ocupam porto da Cargil, em Santarém, desde o dia 22 de janeiro
Notícia do dia 26/01/2026
DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA - Lideranças indígenas do Baixo Tapajós e movimentos sociais ocupam desde o dia 22 de janeiro o porto da multinacional Cargill, em Santarém, Oeste do Pará.
O protesto é contra a privatização do Rio Tapajós e o avanço de obras de dragagem que, segundo os manifestantes, ameaçam comunidades indígenas, quilombolas e o meio ambiente.
O ato ocorre após o governo federal lançar, em 23 de dezembro de 2025, um edital de R$ 74 milhões para a gestão e dragagem do rio Tapajós pelos próximos cinco anos, com o objetivo de torná-lo navegável durante todo o ano, inclusive em períodos de seca extrema. A medida é considerada estratégica para o escoamento de soja e outras commodities do agronegócio.
Para ao Conselo Indígena Tapajós Arapiuns ( Cita) edital é ilegal, por não ter sido precedido de Consulta Prévia, Livre e Informada, conforme determina a Convenção 169 da OIT, nem de Estudo de Impacto Ambiental (EIA).
Decreto federal
As lideranças indígenas e entidades socios ambientais criticam o decreto nº 12.600/2025, que incluiu os rios Tapajós, Madeira (AM) e Tocantins no Plano Nacional de Desestatização (PND), abrindo caminho para a privatização das hidrovias na Amazônia.
Documentos técnicos do Ibama e do ICMBio alertam que a dragagem pode provocar liberação de metais pesados, como mercúrio, aumento da turbidez da água e redução de peixes e da biodiversidade aquática, afetando diretamente comunidades que dependem do rio para alimentação e subsistência.
A obra, coordenada pelo Ministério de Portos e Aeroportos e executada pelo Dnit, prevê cerca de 250 quilômetros de dragagem entre Santarém e Itaituba. Apesar disso, não há licenciamento ambiental junto ao Ibama. O projeto recebeu autorizações emergenciais do governo do Pará, procedimento que contraria recomendações do Ministério Público Federal.
Em carta pública, os manifestantes afirmam que “o rio Tapajós está ameaçado” e que a dragagem e a privatização das águas representam “graves retrocessos” aos direitos territoriais e ao equilíbrio ambiental.
Para a liderança indígena Auricelia Arapiun, da Coiab, a falta de consulta e os impactos ambientais podem causar danos irreversíveis: “É um rio já altamente comprometido, com ameaças como a contaminação por mercúrio, e essa obra aprofunda ainda mais os riscos à nossa vida e aos nossos territórios”.

