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Governo Bolsonaro monitora e faz dossiê de policiais e professores antifascistas, diz Uol

Investigação sigilosa mira de 579 servidores federais e estaduais; secretário de Articulação da Cidadania do governo do Pará é um dos alvos

Governo Bolsonaro monitora e faz dossiê de policiais e professores antifascistas, diz Uol Ministro da Justiça, André Mendonça (ANDERSON RIEDEL - Agência Brasil) Notícia do dia 24/07/2020

BRASÍLIA - O Ministério da Justiça deu início a uma investigação sigilosa que monitora 579 servidores federais e estaduais de segurança identificados como integrantes do "movimento antifascismo" e três professores universitários, um dos quais ex-secretário nacional de direitos humanos e atual relator da ONU sobre direitos humanos na Síria, todos críticos do governo de Jair Bolsonaro. A informação foi publicada nesta sexta-feira (24/7), pelo site Uol.

 

A informação consta num dossiê do ministério obtido pelo site UOL, que inclui nomes e, em alguns casos, fotografias e endereços de redes sociais das pessoas monitoradas. As investigações iniciaram em junho.

 

A Seopi (Secretaria de Operações Integradas), subordinada ao ministro da Justiça, André Mendonça, comanda a ‘investigação’.

 

A secretaria é dirigida por um delegado da Polícia Civil do Distrito Federal e tem uma Diretoria de Inteligência chefiada por um servidor com formação militar - ambos foram nomeados em maio por Mendonça.

 

Segundo reportagem do Uol, a Seopi não submete todos os seus relatórios a um acompanhamento judicial por conta de um decreto de Jair Bolsonaro.

 

Entre os nomes incluídos no dossiê estão o de servidores que assinaram manifestos em defesa da democracia e com críticas ao governo.

 

Uma tabela de arquivo Excel foi montada com uma "relação de servidores da área de segurança pública identificados como mais atuantes". Os 579 nomes foram divididos por estado da federação.

 

Além desse anexo, a Seopi incluiu os dois manifestos, de 2016 e 2020, uma série de "notícias relacionadas a policiais antifascismo" e cópias em PDF do livro "Antifa - o manual antifascista", do professor de história Mark Bray, e de um certo "manual de terrorismo BR".

 

“Os alvos, todos acompanhados de fotografias, são os professores universitários Paulo Sérgio Pinheiro (integrante da Comissão Arns de direitos humanos, presidente da comissão independente internacional da ONU sobre a República Árabe da Síria desde 2011, com sede em Genebra, nomeado pelo conselho de direitos humanos da ONU, ex-secretário nacional de direitos humanos no governo de FHC e ex-integrante da Comissão da Verdade); Luiz Eduardo Soares (cientista político, secretário nacional de Segurança Pública no primeiro governo Lula e co-autor do livro "Elite da Tropa" [Objetiva, 2006]); e Ricardo Balestreri (secretário estadual de Articulação da Cidadania do governo do Pará e ex-presidente da Anistia Internacional no Brasil). Há também um quarto nome da academia, Alex Agra Ramos, bacharel em ciências políticas na Bahia”, diz trecho da reportagem do Uol.

 

Métodos da Seopi,  de monitorar cidadão, são semelhantes aos do governo da ditatura militar, disse Ex-secretário de Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro, um dos monitorados pelo governo.

 

MOLON PEDE CONVOCAÇÃO DE MINISTRO DA JUSTIÇA

A Revista Época informa que a bancada do PSB na Câmara pediu que o ministro da Justiça seja convocado para dar explicações. "Não bastasse tudo o que Bolsonaro já disse e fez, agora tomamos conhecimento da montagem um aparato paralelo no Ministério da Justiça para vigiar e perseguir seus opositores. Este é mais um ataque à democracia e à Constituição, que merece o mais duro repúdio das nossas instituições”, criticou o líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon, do Rio de Janeiro.

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