menu

Em Santarém, indígenas ocupam balsa de soja no rio Tapajós contra privatização de hidrovias

14 etnias indígenas ocupam há 29 dias porto da Cargil, em Santarém, e exigem revogação de decreto do governo federal contra dragagem dos rios Tapajós (PA), Madeira (AM) e Tocantins (TO)

Em Santarém, indígenas ocupam balsa de soja no rio Tapajós contra privatização de hidrovias Protesto vai completar um mês e cresceu com a adesão dos Kayapó e Panará, que somaram aos Munduruku e 14 povos do Baixo Tapajós (Foto: Coletivo Apoena Audiovisual) Notícia do dia 19/02/2026

DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA - Cerca de 400 indígenas ampliaram, nesta quinta-feira (19), o protesto contra a privatização das hidrovias e interceptaram uma barcaça de grãos no leito do Rio Tapajós, em Santarém, Oeste do Pará.

 

A ação ocorreu nas proximidades do terminal da Cargill, que está ocupado desde 22 de janeiro.


A mobilização é contra o Decreto 12.600/2025, que incluiu os rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND).

 

Lideranças afirmam que o governo federal pretende ampliar a navegação para escoamento de grãos sem realizar consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas, como determina a Convenção 169 da OIT.


Além do bloqueio fluvial, o acesso terrestre ao terminal segue fechado há 29 dias.

 

“Estamos defendendo nosso território e nosso futuro”, afirmou Alessandra Munduruku, uma das lideranças do movimento, que reúne povos Munduruku, Kayapó, Panará e comunidades do Baixo Tapajós.


Em dezembro, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) lançou edital de R$ 74,8 milhões para dragagem de manutenção do Tapajós entre Santarém e Itaituba. Após duas semanas de protestos, o governo suspendeu o pregão, mas manteve o decreto de desestatização.


Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a hidrovia movimentou 14,6 milhões de toneladas em 2024. O Plano Setorial Hidroviário 2035 prevê ampliar a capacidade para 66 milhões de toneladas até 2035.


O projeto logístico inclui ainda a construção da Ferrogrão (EF-170), planejada para ligar o norte do Mato Grosso ao distrito portuário de Miritituba (PA), integrando o transporte ferroviário às barcaças no Tapajós.


Procurada, a Cargill não se manifestou até a publicação. O impasse ocorre em meio ao aumento da tensão na cidade, duas semanas após um vereador local avançar com um carro contra manifestantes indígenas, caso que resultou em pedido de impeachment na Câmara Municipal.

Tags:

Veja Também