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Em 1 ano, prefeitura gastou R$ 6 milhões com propaganda do HMS e, em 2 anos, R$ 1 milhão na saúde

MPPA pede à Justiça o bloqueio de até R$ 7,5 milhões da Prefeitura de Santarém e suspensão das propagandas institucionais nas TVs, Rádios e demais veículos de comunicação

Em 1 ano, prefeitura gastou R$ 6 milhões com propaganda do HMS e, em 2 anos, R$ 1 milhão na saúde Pronto Socorro do Hospital Municipal de Santarém Notícia do dia 04/11/2021

DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA - Pelo descumprimento de uma sentença do ano de 2011, resultado de uma Ação Civil Pública, que obrigava a Prefeitura de Santarém a tomar medidas necessárias para adequação do Pronto Socorro do Hospital Municipal de Santarém, a 8ª e a 9ª Promotorias de Justiça pediram a 6ª Vara Cível a aplicação de multa ao Município, com bloqueio de verbas entre R$126 mil a R$7,5 milhões.  

 

Esses valores, que o MPPA solicita o bloqueio, devem ser retirados da propaganda institucional do HMS, e do mesmo modo que as propagandas nos veículos de comunicação, veiculadas regularmente, seja suspensas.

 

Na petição, os promotores informam à Justiça que chegou ao conhecimento do MPPA, que o prefeito Nélio Aguiar (União Brasil) gastou, em 2021, aproximadamente R$ 6 milhões, somente em propagandas institucionais. A mesma despesa de verba publicitária na Secretaria Municipal de Saúde, referente há dois anos, foi de pouco mais de R$ 1 milhão.

 

"E nos anos de 2020 até 2021, apenas pela Secretaria Municipal de Saúde, foi gasto para esse fim R$ 1.232.282,24, despesas que não são essenciais e são secundárias se comparadas à saúde", diz trecho da representação das Promotorias.

 

O requerimento da promotoria se refere ao Processo nº 0008627-62.2011.8.14.0051. No dia 1º de julho deste ano o MPPA requereu o cumprimento definitivo de sentença, e no último dia 14 de outubro, realizou uma inspeção no Hospital/Pronto-Socorro Municipal, na qual constatou que persiste o descumprimento, mesmo tendo o município manifestado que cumpriu as obrigações, restando algumas pendências, requerendo prazo para adequação e cumprimento.

 

Todavia, para o MPPA o pedido não merece prosperar, porque já se passaram 11 anos desde o ajuizamento da ação, sem qualquer medida concreta para melhora dos aspectos de funcionamento do HMS/PMS.

 

O MPPA destaca que a cada novo dia sem adoção das providências necessárias, aumenta-se o risco irreversível à saúde e à vida dos pacientes.

 

A sentença, confirmada nos autos, consiste na obrigação do Município para tomar medidas necessárias para adequação do Pronto Socorro de Santarém, nos termos da Portaria GM/MS Nº 1.863/2003, Resolução nº 1451/95 CFM e Portaria GM/MS Nº 2.048/2002.

 

Saiba as obrigações:

- Implantar e manter o funcionamento do Plantão 24h nas dependências do Pronto Socorro Municipal de Santarém, com a presença física de, pelo menos, um médico para as especialidades de anestesiologista, clínica médica, pediatria, cirurgia geral, ortopedia e obstetrícia;

- Disponibilizar em caráter contínuo e permanente insumos, materiais e medicação básica necessários a prestação do serviço de saúde no Hospital Municipal de Santarém;

- Implantar e manter rotina de higienização e limpeza nos ambientes;

- Ativar e manter a rede canalizada de oxigênio, ar comprimido e vácuo;

- Ativar integralmente o Pronto-Socorro Municipal às disposições da portaria nº 2.048/2002 do Ministério da Saúde, no prazo máximo e improrrogável de sessenta dias.

 

DESCUMPRIMENTO

Na vistoria realizada pelo MPPA no último dia 14 de outubro, foi constatado, em relação à presença física das especialidades, que não havia pediatria, e apesar de verificado traumatologista no plantão 24h, em presença física, no HMS/PMS, verificou-se tratar de médico sem especialidade.

 

Em relação aos insumos, em diversas inspeções realizadas pelo MPPA, foi constatada a falta de medicamentos. Quanto ao fluxo de higienização, apesar da alegação da sua existência, relatórios anteriores indicam que persiste a deficiência do serviço, como banheiros sujos e ausência de materiais para higiene pessoal.

 

Já em relação à rede de gases, o município se manifestou alegando que vem encontrando dificuldades na apresentação de propostas no processo licitatório.

 

Assim, quanto à afirmação do Município de que o Hospital está adequado de acordo com a Portaria nº 2.048/2002, o MPPA argumenta que não há razão de ser, devido ao descumprimento dos itens anteriores.

 

A promotoria ressalta que o Município de Santarém obteve todas as oportunidades legais de defesa e está ciente do teor da sentença. Além disso, tomou conhecimento de todas as constatações feitas em inspeções, com recebimento dos relatórios, e, mesmo com a concessão de prazos e abertura para resolução de forma extrajudicial, até a presente data, não adotou providências visando adequações.

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