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Eleito com 92,7% dos votos, Bolsonaro recusa nomear reitor da UFPA e universidade protesta

Bolsonaro dá sinais de que vai fazer intervenção na UFPA; presidente já fez intervenção em 11 universidades federais

Eleito com 92,7% dos votos, Bolsonaro recusa nomear reitor da UFPA e universidade protesta UFPA está sem reitor Notícia do dia 25/09/2020

DEAMAZÔNIA BELÉM, PA - O presidente Jair Bolsonaro está se recusa nomear o reitor da Universidade Federal do Pará, Emmanuel Zagury Tourinho, reeleito com mais de 92,7% pela comunidade acadêmica há dois meses. O mandato de Tourinho encerrou na terça-feira (22/9) e teve que assumir o comando da UFPA o vice reitor, Gilmar Pereira da Silva.   

 

Na tarde desta quinta-feira (24/9), em reunião extraordinária, o Conselho Universitário da UFPA aprovou por unanimidade, com apoio de 94 conselheiros, Voto de Desagravo contra o governo federal em deixar a universidade sem reitor.

 

Na Nota, o Conselho Universitário (CONSUN), órgão máximo da instituição, denuncia que a UFPA cumpriu com a legislação vigente e todos os requisitos formais de consulta a comunidade acadêmica para a escolha de reitor e vice-reitor e que encaminhou a lista tríplice ao presidente da República e ao ministro da Educação,  Milton Ribeiro, mas que estes estão calados até agora.

 

“O descaso governamental agride a comunidade da UFPA e toda a população por ela alcançada, desrespeita a autonomia universitária e expressa, mais uma vez, o desinteresse em valorizar o que de melhor se faz pelo desenvolvimento da Amazônia”, diz trecho da nota.

 

A UFPA possui mais de 50 mil estudantes e 144 cursos de mestrado e doutorado, estando entre as dez maiores universidade do país com participação no Sistema Nacional de Pós-Graduação.

  

“A instituição, por tudo isso, constitui-se como patrimônio de toda a sociedade paraense e de toda a Amazônia. Apesar disso, vem sendo desrespeitada ao ser deixada sem Reitor titular nomeado, mesmo tendo cumprido o processo de escolha em estrita observância aos ritos legais e dentro dos prazos devidos”, segue a nota.

 

INTERVENÇÃO

Desde sua posse Bolsonaro já fez intervenção em pelo menos 11 universidades. Antes disso, em dezembro 2019, Bolsonaro editou outra MP (Medida Provisória) que alterava regras para a escolha de reitores e pró-reitores, mas o texto perdeu a validade por não ter sido votado no prazo pelo Congresso.

 

Caso semelhante ao da Universidade Federal do Pará  viveu a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) que elegeu, em julho, o seu reitor Rui Vicente Oppermann, mas o presidente Bolsonaro nomeou Carlos André Bulhões Mendes, o candidato que teve o menor número de votos. 

 

Professores e estudantes ainda realizaram protestos, mas não teve jeito. A presidência da República empossou Bulhões há dois dias.  

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