Orla de Santarém funciona normalmente após encerramento do toque de recolher
Notícia do dia 20/04/2021
DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA - 15 entidades que compõem o Conselho Municipal de Saúde de Santarém, Oeste do Pará, divulgaram Nota de Repúdio, neste segunda-feira (19), contra a decisão do Comitê Gestor de Crise da covid-19 que flexibilizou o funcionamento das atividades sociais e econômicas liberando o funcionamento de bares, praias, academias, espaços públicos e suspendeu o toque de recolher na cidade. VEJA A NOTA ao final da matéria.
Para as entidades, dentre as quais Sindicato dos Médicos, Sindicatos dos Enfermeiros, Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Conselho Regional de Serviço Social, Conselho Regional de Psicologia, Associação dos Renais Crônicos e Transplantados, Associação dos Portadores de Lupus e Pastorais da Arquidiocese de Santarém a decisão da Prefeitura é uma atitude irresponsável e inoportuna e vai de encontro a todas as recomendações da ciência.
O Conselho Municipal de Saúde diz que o Comitê não apresentou dados epidemiológicos para tomar a decisão, e que a situação da pandemia em Santarém ainda é alarmante, com taxa de ocupação de pacientes no Hospital Regional do Baixo Amazonas acima de 90%.
As entidades não aferem a decisão, por entender que as ações de fiscalização para cumprimento do decreto não atendiam as necessidades antes da flexibilização e lamentaram as aglomerações que ocorreram neste fim de semana na cidade.
Neste domingo (18), barracas de praia no Maracanã estavam lotadas de frequentadores. No bairro Santana, a PM e Vigilância Sanitária tiveram que acabar com uma festa clandestina com 200 pessoas.

Ainda na Nota, o Conselho Municipal de Saúde chama a atenção para o risco de explosão de casos da covid em Santarém. No domingo (18), havia quase 3 mil moradores em monitoramento recebendo acompanhamento médico, podendo também evoluir para a ocupação de um dos leitos hospitalares.
E por fim, as 15 entidades, com assento no Conselho de Saúde, questionam a liberação do decreto uma vez que “a população de idosos de 65 anos ou mais que receberam a segunda dose e foram imunizados para a doença é insignificante, com apenas 113 pessoas, o que corresponde a menos de 1% da população na faixa etária indicada”.
NOTA DE REPÚDIO, na íntegra
As Entidades com assento no Conselho Municipal de Saúde de Santarém, vem a público mais uma vez REPUDIAR a decisão tomada pelo Comitê Gestor de Crise manifestada publicamente nesse dia 16 de abril de 2021, que flexibilizou as medidas sanitárias e passou do bandeiramento Vermelho para o laranja no Município de Santarém.
A decisão deliberou pela abertura de bares, praias, atividades esportivas e academias, parques e espaços públicos e suspendeu o toque de recolher.
A medida de acordo com os integrantes do Comitê, ora tomada consubstanciam-se em dados técnicos, os quais em nenhum momento foram publicizadas e tão pouco os seus técnicos elaboradores apresentados a sociedade.
Segundo o Protocolo Geral definido no Decreto Municipal, os estabelecimentos não podem exceder 50% da capacidade de lotação e um distanciamento mínimo de um metro e meio entre as pessoas, existindo algumas atividades que além do protocolo geral devem cumprir os protocolos específicos dirigidos a cada atividade, como por exemplo shopping center, academias de ginásticas, salões de beleza e igrejas.
Insta mencionar que anterior a flexibilização, ocorriam dificuldades para o processo fiscalizador realizado pelos órgãos sanitários e de segurança pública, e com a medida adotada a situação agrava-se ainda mais, considerando o contingente de servidores destes setores.
Os meios de comunicação e as redes sociais veicularam neste final de semana, flagrantes de aglomerações em bares, festas particulares, praias e na orla da cidade, situações claras de disseminação e propagação do vírus, que podem gerar consequências desastrosas para o controle da pandemia e colapso do sistema público de saúde.
Especialistas em todo o País, indicam que o Brasil está entrando no momento crítico do contágio da doença, inclusive com o Estado do Pará apresentando dados de aceleração no número de casos novos e óbitos. Por sua vez os dados epidemiológicos da cidade são alarmantes, de janeiro a abril, o número de óbitos aproxima-se ao registrado durante o ano de 2020, superando a marca de 900 óbitos pela COVID 19 no Município.
As taxas de ocupação de leitos de UTI no Hospital Municipal e no Hospital Regional permanecem acima de 90%. A fila de espera de pacientes aguardando Leitos de UTI por outras causas como Traumas, doenças cardíacas, doenças neurológicas, gestação de risco não para de crescer.
Os dados apresentados pela gestão municipal por meio de matéria publicada na grande imprensa revelam o aumento da procura de pacientes com sintomas gripais na Unidade de Referência CEMEI Paulo Freire, atingindo uma marca superior a 400 pacientes/dia. De acordo com o boletim municipal de 18 de abril, os números de pacientes monitorados pela SEMSA é de 2.852, que encontram-se em necessidade de constante acompanhamento médico, podendo evoluir para a ocupação de um dos leitos hospitalares.
Por sua vez, a população de idosos de 65 anos ou mais que receberam a segunda dose e foram imunizados para a doença é insignificante, com apenas 113 pessoas, o que corresponde a menos de 1% da população na faixa etária indicada.
Os dados apresentados expressam a situação alarmante em que o Município de Santarém se encontra, revelando a contradição entre os fatos e o decreto municipal que flexibiliza medidas restritivas de combate a pandemia, e produz uma falsa impressão de controle da pandemia e a superação do colapso no sistema público de saúde.
A decisão do executivo municipal é uma atitude inoportuna, irresponsável e vai em sentido contrário das Recomendações da Organização Mundial de Saúde e Entidades Cientificas respeitadas na área, que apontam que este não é o momento para flexibilização das restrições sanitárias.
Neste sentido, as entidades manifestam total REPÚDIO ao DECRETO MUNICIPAL e reafirmam o compromisso na defesa da vida e da saúde da nossa população.
ASSINAM A NOTA AS SEGUINTES ENTIDADES:
União de Entidades Comunitária de Santarém – UNECOS
Associação dos Produtores Rurais de Santarém – APRUSAN
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém – STTR
Conselho Indígena Tapajós Arapiuns - CITA
Sindicatos do Urbanitários
Pastoral da Criança da Arquidiocese de Santarém
Pastoral Social da Arquidiocese de Santarém
Sindicato dos Médicos do Pará – SINDMEPA
Conselho Regional de Serviço Social - CRESS-PA/ SECCIONAL de Santarém
Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Oeste do Pará – ARCTOP
Associação dos Portadores de Lúpus – APLOPA
Sindicato dos Trabalhadores em Saúde no Estado do Pará – SINDSAÚDE
Federação de Moradores e Organizações Comunitárias de Santarém - FAMCOS
Conselho Regional de Psicologia – CPR 10ª Região
Sindicato dos Enfermeiros do Estado do Pará- SENPA.

