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Comunidades de Juruti se mobilizam contra Alcoa por impactos ambientais de dragagem no Rio Amazonas

Operação de dragagem foram iniciadas em 2023 e ignoraram audiências públicas com comunitários

Comunidades de Juruti se mobilizam contra Alcoa por impactos ambientais de dragagem no Rio Amazonas Moradores de Juruti protestam contra dragagem da Alcoa Notícia do dia 08/08/2025

DEAMAZÔNIA JURUTI, PA – Moradores de Juruti, Oeste do Pará, saíram às ruas ontem (6) em protesto contra a dragagem que a Alcoa realiza no rio Amazonas.

 

A operação, que já está em sua terceira fase, segundo os manifestantes, está provocando diversos impactos ao meio ambiente é apontada como a responsável por diversos problemas, desde o comprometimento da pesca e da agricultura familiar até a morte de animais aquáticos.

 

Segundo a Coordenação Comunitária das Comunidades Diretamente Impactadas pela Dragagem do Trecho do Rio Amazonas (CDID), as operações de dragagem, iniciadas em 2023, ignoraram os reais impactos nas localidades.

 

Nadson Mendes Oliveira, da CDID, aponta falhas graves nos Relatórios de Controle Ambiental (RCA) apresentados pela empresa, que, segundo ele, não consideraram os efeitos da remoção de milhões de metros cúbicos de sedimentos do rio.

Degradação ambiental e prejuízos sociais

Os relatos dos comunitários são alarmantes. A dragagem teria provocado o surgimento de grandes bancos de areia, alterando a navegabilidade e o acesso a igarapés essenciais para a locomoção e o modo de vida local. Além disso, a areia depositada nas margens destruiu áreas de cultivo e pastagem.

 

"Registramos a morte de peixes-boi, tartarugas, jacarés e diversas espécies de peixes — foi bastante devastador", afirmou Nadson Oliveira.

 

Ele também destacou que o assoreamento bloqueou o acesso a áreas de pesca, afetando diretamente a principal fonte de sustento das famílias. A agricultura e a pecuária de subsistência também foram prejudicadas, já que a areia invadiu terras férteis.

 

Licenciamento questionável e falta de resposta

A Alcoa afirma que a operação cumpre todas as exigências ambientais e é acompanhada por um comitê. No entanto, as comunidades contestam essa versão.

 

O RCA da terceira fase da dragagem, que prevê a remoção de 7 milhões de metros cúbicos de sedimentos, foi aprovado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semas), sem o estudo socioeconômico obrigatório, o que, de acordo com técnicos das comunidades, é uma violação da legislação ambiental.

 

Apesar das denúncias formalizadas à Semas e ao Ministério Público, as comunidades afirmam que, até o momento, nenhuma medida efetiva foi tomada.

 

Diante da falta de respostas, a indignação levou a uma manifestação em Juruti, com a promessa de que os protestos irão se intensificar até que suas demandas sejam atendidas e seus modos de vida, que estão em risco, sejam protegidos.

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