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Cientista da Fiocruz sobre 'lockdown', em Santarém: ‘é duro, desagradável, mas salva vidas’

Pesquisador e epidemiologista, que previu a segunda onda em Manaus, defende o ‘lockdown’ no Oeste do Pará

Cientista da Fiocruz sobre 'lockdown', em Santarém: ‘é duro, desagradável, mas salva vidas’ Epidemiologista e pesquisador da Fiocruz/Amazônia, Jesem Orellana Notícia do dia 15/02/2021

DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA - Sem vacina em massa, o epidemiologista e pesquisador da Fiocruz/Amazônia, Jesem Orellana, voltou a afirmar, nesta segunda (15/2), que o 'lockdown' é o único meio de frear a contaminação e reduzir o número de mortes pelo novo coronavírus.

 

Ao avaliar o cenário da Região Oeste do Pará, que se encontra em bandeiramento preto, Orellana defendeu a posição adotada pelo Comitê de Enfrentamento a Covid-19 de Santarém, afirmando que há estudos que comprovam que a intervenção do bloqueio total reduziu a mortalidade na pandemia.

 

“ A ciência provou a eficácia do 'lockdown' para conter a circulação viral em diversas parte do mundo, inclusive, no Brasil. É uma medida dura e desagradável, também em Santarém, mas salva vidas”, afirmou o cientista  ao Portal de AMAZÔNIA/PARÁ. 

 

O governo do Pará decretou, no dia 1o de fevereiro, lockdown em 14 cidades do Oeste do Estado, devido a aproximação geográfica desses municípios com o Amazonas. O decreto foi prorrogado pelo governo e entrou em vigor, nesta segunda (15), devendo se estender até o dia 19 de fevereiro.  

 

PREVIU A SEGUNDA ONDA

O pesquisador Jesem Orellana foi um dos cientistas que previu, ainda em agosto, a segunda onda da covid-19, em Manaus, e foi ignorado pelas autoridades do Amazonas, que o chamaram de ‘alarmista’.

 

Em 2020, o epidemiologista da Fiocruz/Amazônia emitiu 12 alertas sobre a segunda onda e propôs, por várias vezes, o bloqueio total, na capital amazonense.

 

Até hoje, o governo do Amazonas [alinhado a ala bolsonarista] não adotou um 'lockdown' sequer. O Amazonas poderá chegar esta semana a 10 mil mortes.

 

“O lockdown diminuiria a circulação pelas ruas e o coronavírus encontraria mais dificuldade de ser transmitido de pessoa para pessoa”, ressaltou o epidemiologista da Fiocruz/Amazônia.

 

“O achatamento da curva entre setembro e outubro permitiria que a gente entrasse no mês de novembro com uma situação menos problemática. A segunda onda era inevitável, mas poderíamos ter impedido esse colapso em Manaus”, completou o cientista.

 

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COVID EM SANTARÉM

Mais três óbitos foram confirmados, em Santarém, neste domingo (14) elevando o número de mortes para 569.De acordo com o boletim, duas mulheres de 74 e 79 anos, além de um homem de 83 anos morreram por Covid-19 nos dias 12 e 13 de fevereiro. Outras cinco mortes estão sendo investigadas.

 

Com mais 18 casos confirmados já são 14.772 pessoas infectadas, em Santarém.

 

O sistema de Saúde de Santarém está em colapso e o governo programa a reabertura de um novo hospital de campanha. 53 leitos de UTI estão ocupados (98,15%) no Hospital Regional do Baixo Amazonas. 9 pacientes estão na fila de espera.

 

Dos  153 leitos clínicos disponíveis exclusivos para covid-19, 126 estão ocupados (82,35%).

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