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Após perder pai para covid, vereador de Belém defende 'lockdown' e crítica Bolsonaro

Sargento Silvano mudou de postura, após testar positivo e ter toda a família infectada: 'Bolsonaro mente para o povo'

Após perder pai para covid, vereador de Belém defende 'lockdown' e crítica Bolsonaro Sargento Silvano era um defensor de Bolsonaro Notícia do dia 19/05/2020

DEAMAZÕNIA BELÉM, PA - O vereador de Belém, sargento  Silvano Oliveira (PSD) perdeu o pai para o coronavírus neste domingo (17/5). Seu Francisco Rodrigues Lopes, 65 anos, estava internado e entrou para a estatística de 13.921 mortos da pandemia no Pará, que registrou até ontem (18/5) à noite 15.467 pessoas infectadas.

 

“Agora eu defendo o lockdown. Meu pai, por exemplo, construiu um patrimônio, mas quando foi enterrado não levou nem a roupa do corpo. Foi enterrado no lençol do hospital e em um saco. O que significa isso?. Eu defendo o lockdown e o isolamento social. O emprego é importante, mas se tu morrer, vai sem nada, como aconteceu com meu pai. Estão brigando para abrir o comércio, mas se tu morrer, não vai levar nada, amigo. Todo mundo subestimou e não acreditou, ma a morte chegou”, conclui o vereador.      

 

Há pouco mais de 1 mês, o vereador era um intransigente defensor do presidente Jair Bolsonaro e combatente ferrenho contra o isolamento social.

 

"Meus amigos (a), com 30 dias todos verão que o presidente Bolsonaro tinha razão (abertura imediata do comércio). Como parlamentar estou preocupado e espero que em breve, o goververnador e prefeitos apresentem medidas aceitáveis para preservar os empregos. Oro a Deus por isso", escreveu.     

O sargento Silvano teve dez pessoas da família infectadas pelo coronavírus. Ele, a esposa e os filhos contraíram a covid-19.

 

Desde então Silvano mudou de opinião e passou a fazer duras críticas a Bolsonaro. “Isso não é uma gripinha[sic], como disse Bolsonaro. O presidente mente para o povo brasileiro. Bolsonaro perdeu o meu respeito. Falo de tudo que tenho sofrido com minha família nestes últimos dias”, publicou.

 

Em 2018, na campanha eleitoral, ele foi um dos principais cabos eleitorais do presidente. “Sou totalmente contra o Bolsonaro hoje por uma postura louca dele, sem limites. Consegui graças a Deus abrir meus olhos. Eu andava com ele aqui no Pará”, disse.

 

Sargento Silvano também é contra o uso da azitromicina e hidroxicloroquina, remédios defendidos por Bolsonaro, que não possuem comprovação cientifica para o seu uso em pacientes de covid-19.

 

“Se fossem remédios ideais para combater isso, não teríamos milhares de mortos. A pessoa tomaria e ficaria bom. Como não temos a vacina o único remédio é o distanciamento social e ele [Bolsonaro] não tem pregado isso", argumentou. .

 

Defensor do isolamento social, o vereador de Belém passou a fazer desifecção das ruas, em Belém, com recursos próprios. Bolsonaro dizia que a pandemia não passava de uma histéria.  

 

A nova postura do vereador ganhou as páginas dos principais sites nacionais: Uol, Estado de Minas, Correio Braziliense, A Gazeta, revista Forum.   

 

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