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19 procuradores do MPF pedem que Ibama destrua maquinários apreendidos de grileiros em Itaituba

Após crimes, grileiros eram fiéis depositários, em região do Oeste do Pará mais desmatada do Brasil

19 procuradores do MPF pedem que Ibama destrua maquinários apreendidos de grileiros em Itaituba terra indígena Ituna-Itatá é a área mais desmatada do Brasil ( divulgação Ibama) Notícia do dia 01/03/2020

DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA -  O Ministério Público Federal (MPF) no Pará pediu nesta sexta-feira (24), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) da necessidade de que sejam descaracterizados, destruídos ou inutilizados quaisquer máquinas e instrumentos apreendidos como prática de crimes ambientais dentro da terra indígena Ituna-Itatá, de índios isolados, que em 2019 teve a maior área desmatada do país. Somente no mês de janeiro de 2020 foram desmatados mais de mil hectares de floresta.

 

 A terra indígena Ituna-Itatá fica localizada entre os municípios de Altamira e Senador José Porfírio, no sudoeste do Pará. A área foi reservada como condicionante para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. 

 

19 procuradores da República, que atuam no Pará, assinam o documento, que também recomenda ao Ibama, expressamente, que não devem ser nomeados fiéis depositários para os equipamentos e, na impossibilidade de apreensão e transporte, é imperativo que as máquinas sejam destruídas para interromper as ações criminosas. Esta é a segunda recomendação com o mesmo teor feito ao Ibama do Oeste do Pará. 

 

A terra Ituna-Itatá foi reservada pela presença de indígenas que ainda não tiveram contato com a sociedade não-indígena, como parte das ações para evitar impactos da usina de Belo Monte.

 

A partir de 2019, houve uma corrida de invasores e um aumento de 700% do desmatamento na área. O Ibama encontrou até uma vila sendo construída ilegalmente na terra indígena. Nenhuma casa foi destruída, mas os invasores terão que sair.

 

A presença dos invasores já deixou marcas (grileiros), como a devastação florestal e pastos onde existe gado ilegal. Mas há um risco maior, de contaminação dos indígenas isolados com doenças que podem ser mortais para eles.

 

DESTRUIÇÃO DE MÁQUINÁRIOS

A destruição do maquinário é prevista em lei e se aplica quando as equipes de fiscalização não tenham meios para apreender e transportar o material.

 

De acordo com a legislação ambiental brasileira, ao encontrar equipamentos utilizados ilegalmente para o desmatamento e outros crimes ambientais, os fiscais do Ibama podem adotar três condutas: a primeira e preferencial é a apreensão e transporte do maquinário; a segunda é a nomeação de um fiel depositário no local dos crimes; e a terceira é a destruição e inutilização dos instrumentos.

 

No trabalho na região amazônica, no entanto, pelas distâncias e pela precariedade de transporte, a apreensão de máquinas de grande porte se torna praticamente impossível. E, para o MPF, a alternativa de nomear um fiel depositário que está ilegalmente dentro de uma terra indígena é o mesmo que assegurar a repetição dos crimes.

 

A recomendação foi expedida após a última operação de fiscalização na terra indígena Ituna-Itatá, no começo do ano, quando os fiscais do Ibama localizaram postos de combustível funcionando ilegalmente e abastecendo os carros dos invasores. Os postos foram lacrados e o combustível foi apreendido, mas houve pressão de invasores que tentaram impedir a saída da equipe do Ibama. A situação foi resolvida com negociação, mas a ousadia dos criminosos preocupa o MPF.

 

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