menu

Eneva perto de comprar, sem licitação, Polo Urucu de Coari no AM; Sindicatos reagem

Eneva pode ser dona de toda a bacia do Solimões com sete concessões de petróleo e gás natural: Carapanaúba, Leste do Urucu, Rio Urucu, Araracanga, Arara Azul, Cupiúba e Sudoeste de Urucu e refinaria REMAN

Eneva perto de comprar, sem licitação, Polo Urucu de Coari no AM; Sindicatos reagem Sindicatos de Petroleiros fazem campanha em defesa do Polo de Urucu Notícia do dia 25/11/2020

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM - Coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, desta segunda-feira (23/11), informa que a empresa Eneva está perto de anunciar a compra do Polo de Urucu, no Amazonas. No Estado, emergem denúncias de que a empresa atua nos bastidores para viabilizar a venda.

No Polo da Bacia do Solimões (AM), a Petrobras colocou à venda sete concessões de produção de petróleo e gás natural: Carapanaúba, Leste do Urucu, Rio Urucu, Araracanga, Arara Azul, Cupiúba e Sudoeste de Urucu.

 

“O objeto deste Processo consiste na cessão dos direitos de exploração, desenvolvimento e produção de óleo e gás natural desse grupo de campos de terra, com instalações integradas, visando fornecer aos potenciais compradores plenas condições de operação (“Potencial Transação”). O Polo Urucu compreende 7 concessões de produção (Araracanga, Arara Azul, Carapanaúba, Cupiúba, Leste do Urucu, Rio Urucu, Sudoeste Urucu), todas localizadas no Estado do Amazonas, nos municípios de Tefé e Coari, ocupando uma área de aproximadamente 350 km2”, informa trecho do anunciou Petrobras com o título ‘ Oportunidade de Investimento em Campos Terrestres no Brasil’ .

 

O detalhe é que a venda do Polo Petrolífero Urucu está se dando sem licitação, ou seja: sem a observância das regras da Lei das Estatais, que traz exigências no que se refere ao impacto gerado pela privatização nos âmbitos sociais, ambientais e econômicos. O resultado disso é que a venda poderá ocorrer para uma empresa escolhida a dedo por critérios obscuros, o que abre margem pra todo tipo de corrupção.

 

Veja AQUI o Teaser da Petrobras do anúncio de venda do Polo de Urucu, em Coari.

  

ENTIDADES CONTRA PRIVATIZAÇÃO

No domingo (22) diversas entidades, entre as quais o Sindicato dos Petroleiros ( Sindipetro PA/AM/MA/AP), a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam),  publicaram um “Chamado Urgente ao Povo Amazonense” no Jornal A Crítica conclamando a sociedade a defender o patrimônio da Petrobrás no Amazonas, contra a possível privatização do Polo Urucu, anunciada pela empresa em 26 de Junho de 2020.

 

Para conhecer mais sobre a campanha “Urucu é do Brasil” acesse: www.urucudobrasil.com

 

ENEVA

O movimento em defesa do Polo de Urucu diz que a Eneva é suspeita de envolvimento em corrupção, improbidade administrativa e relações espúrias.

 

Segundo reportagem do jornal A Crítica do dia 26 de julho, deste ano, a empresa Criae Design e Publicidade foi contratada, sem licitação, pela Assembleia Legislativa do Amazonas, para um contrato de R$ 9,5 milhões. O processo irregular foi feito durante a gestão do deputado Josué Neto (PRTB) à frente da Casa.

 

A agência de publicidade, por sua vez, recebeu pagamentos da empresa Azulão Geração de Energia S.A., que é controlada pela Eneva e comprou o campo de mesmo nome, vendido em 2017.Ainda segundo a publicação, um dos sócios da agência Criae é o empresário Orlando Coimbra Neto, amigo do deputado Josué Neto.

 

O deputado foi autor do projeto de lei que acaba com o monopólio da Cigás na comercialização e distribuição de gás natural no Amazonas, abrindo o mercado para outras empresas do setor energético, a exemplo da própria Eneva.

 

Não fosse o bastante as intervenções da Eneva, reportagem de A Crítica também demonstrou várias outras irregularidades no contrato da Criae com a Assembleia Legislativa. Dentre elas, está a emissão de uma nota de empenho de R$ 8,7 milhões, além de uma ordem bancária em favor da Criae no valor de R$ 379 mil. Tudo feito antes mesmo do contrato ser oficializado no Diário Eletrônico da Casa, o que é completamente ilegal.

 

Documentos também demonstram que a empresa de publicidade Criae superfatura cobranças feitas à Aleam. Um anúncio de TV com duração de 60 segundos que, no mercado, custa R$ 1,5 mil, foi faturado no valor de R$ 11,2 mil, seis vezes mais que o valor do produto.

 

Com a atual situação do estado do Amapá, cresce a preocupação com a privatização do setor energético brasileiro, já que não é só o Polo Urucu, mas toda a cadeia de produção da Petrobrás no Amazonas está com sua venda anunciada, como a refinaria REMAN e também as termelétricas de Tambaqui e Jaraqui. E a situação fica mais grave ainda se olharmos para a situação da Petrobrás pelo país, com inúmeras refinarias, gasodutos e campos do pré-sal sendo colocados à venda.

Anúncio da venda do Polo de Urucu, em Coari

 

MAIOR BASE DE GÁS E PETRÓLEO

Descoberto em 1986, o Polo Urucu no coração da floresta Amazônica, é a maior base terrestre de gás e de petróleo do país e possui o óleo de melhor qualidade do Brasil. Lá se produz diariamente, em média, 40 mil barris de óleo, incluindo 1.200 toneladas de GLP (gás de cozinha). O Polo é fundamental para o abastecimento de toda a região norte e inclusive parte da região nordeste. A atuação da Petrobrás no Amazonas é responsável por 2.100 empregos diretos que alimentam milhares de postos de trabalho na região.

 

Sabe-se o quanto pode ser perigoso a atividade de extração de petróleo, mas em mais de 30 anos de atividades, a Petrobrás não registrou nenhum acidente ambiental de grandes proporções, se tornando referência internacional em ocupação responsável da floresta. No caso da empresa privada norte americana Chevron que atua na extração de petróleo na região amazônica equatoriana já se registrou inúmeros desastres ambientais, comprometendo rios, florestas e até mesmo foi responsável pela contaminação de milhares de pessoas.