menu

Líder dos Brigadistas de Alter do Chão diz que grupo sofre constantes ameaças de morte

Os brigadistas atuam em ONGs que combatem o desmatamento da Amazônia e travam constantes lutas contra grileiros

Líder dos Brigadistas de Alter do Chão diz que grupo sofre constantes ameaças de morte Brigadistas dizem que sofrem ameaças (Foto: Divulgação) Notícia do dia 02/12/2019

DEAMAZÔNIA SANTARÉM, PA - O quatro brigadistas presos, na terça-feira (26/11), em Alter do Chão, em Santarém, oeste do Pará, acusados de causar incêndio em Área de Proteção Ambiental (APA), afirmaram em coletiva de imprensa, neste domingo (1º/12), que sofrem constantes ameaças de morte em grupos de Whatsapp da cidade e não conseguem retomar os trabalhos na Brigada de Incêndio, por estarem em perigo.

 

Daniel Gutierrez, líder da Brigada de Incêndio de Alter do Chão, afirmou que chegou a ter o portão da casa dele arrombado. A informação é do G1/Santarém.  

 

"O que a gente mais quer nesse momento é que a vida volte ao normal, é poder retomar os trabalhos na brigada, mas tá impossível agora. A gente está vivendo 12 horas de cada vez. Por conta das fake news espalhadas sobre a gente, nós estamos em perigo. O portão da minha casa foi arrombado. A gente recebe ameaças diárias em grupos de WhatsApp de Alter do Chão", relatou Gutierrez.

 

Neste domingo (1º), o programa Fantástico da TV Globo, entrevistou os brigadistas e mostrou que as áreas que foram desmatadas já estão demarcadas com cercas e com placas de vendas de terreno, o que demonstra que a região é ocupada por grileiros, conforme linha de investigação do Ministério Público Federal (MPF/Pará).

 

ÁUDIO INÉDITO

Neste domingo (1º), o site Repórter Brasil, divulgou áudio inédito, em que o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar, afirma ao governador Helder Barbalho que o incêndio foi causado por “gente tocando fogo para depois fazer loteamento” e que essas pessoas contam com o apoio de policiais.

 

Para o prefeito a polícia da proteção aos grileiros. “Tem policial por trás, o povo lá anda armado”.

 

 Os brigadistas são acusados de atearem fogo na área para obterem benefícios financeiros por meio de doações. Segundo a polícia, eles receberam mais de R$ 300 mil em doações, mas só declararam R$ 100 mil.

 

Governador afastou delegado

O governador do Pará, Helder Barbalho, afastou o delegado, Humberto Melo Jr, do inquérito que prendeu os brigadistas e nomeou o diretor da Delegacia Especializada em Meio Ambiente, Waldir Freire, para comandar as investigações.

 

O Ministério Público Federal (MPF) descarta o envolvimento dos ambientalistas e aponta ação de grileiros nas queimadas, por interesse em vender lotes. Os brigadistas atuam em ONGs que combatem o desmatamento da Amazônia e travam constantes lutas contra grileiros.

 

A Justiça determinou a soltura de Daniel Gutierrez, Gustavo Fernandes, Marcelo Aron e João Victor Romano, no fim da tarde do dia 28 de novembro.